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Aluna do Parfor UFPA é motivo orgulho para família de agricultores Imprimir
Escrito por Administrator   
Ter, 15 de Janeiro de 2019 08:33

Maria das Graças, de 52 anos, mora na zona rural de Curuperé-Miri, no município de Abaetetuba. Agricultora, dona de casa e professora das crianças do município, ela é a primeira pessoa de sua família a cursar o Ensino Superior. A oportunidade de ingressar em uma universidade pública surgiu através do Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor) da Universidade Federal do Pará (UFPA), que há nove anos oferece cursos de licenciatura para docentes sem formação, no interior do Pará.

O curso escolhido foi Pedagogia, pois ela conta que lecionou a vida toda apenas com os conhecimentos do Magistério. A nova aluna da UFPA revela que tentou várias vezes ingressar no Parfor e que, em 2018, conquistou uma das poucas vagas ofertadas. Desde 2015, o Ministério da Educação não abria novas turmas. "É um curso muito importante, estou muito feliz! Eu parei no Ensino Médio, tenho dificuldades, mas creio que com a ajuda da turma eu vou conseguir. Eu não vou desistir", afirma Maria das Graças.

As aulas da professora e seus novos colegas, também professores da Educação Básica da região, iniciaram no dia 3 de janeiro no campus da UFPA em Abaetetuba. O curso funciona no período de recesso escolar e os mesmos docentes dos cursos extensivos da Instituição ministram as disciplinas em formato intensivo para esses alunos, que já trazem a experiência de sala de aula.

Superação - "Tenho 52 anos de idade, já está nascendo meu bisneto da minha primeira filha. Já trabalho há 23 anos no município. Estou há 25 anos sem estudar, aí é muito complicado, não sei usar a internet, não sei mexer no telefone. Mas não tenho vergonha, peço para as minhas amigas me ajudarem. No interior, a gente é muito humilde, a carência é muito grande", explica Maria das Graças.

Frequentar as aulas vai ser uma jornada difícil ao longo desses quatro anos para Maria das Graças. "Meu marido tem ciúme, mas eu disse que ele precisa me ajudar, preciso de apoio. Minha família toda trabalha na agricultura, na roça, planta maniva, faz farinha, planta milho, arroz, maxixe. A agricultura hoje em dia é muito difícil, a mulher trabalha o dia todo para ganhar uma diária de R$ 20,00. O homem trabalha o dia todo e ganha R$ 30,00. A sobrevivência é complicada", explica.

Ela conta com orgulho que está fazendo história e que espera servir de exemplo. "Meus pais eram agricultores, tenho onze irmãos, todos agricultores também, meu marido é agricultor, até as minhas filhas pararam de estudar na quinta série e eu, agora, sou professora. Ninguém é formado em minha família. Eu serei a primeira", conta Maria das Graças. "É uma luta, é uma guerra, mas estou achando a coisa mais linda, como se eu estivesse com meus 15 anos agora, vivendo coisas novas, pessoas diferentes, escutando outras falas, palavras que eu não conhecia, tudo pra mim é novidade!", afirma entusiasmada a professora Maria das Graças.

Para a Coordenação do Parfor UFPA, a história de vida da professora Maria das Graças reflete a realidade de milhares de professores paraenses e reforça a certeza de que o programa está cumprindo seu objetivo. "O Parfor é uma política que traz para as Instituições de Ensino Superior um conjunto de professoras da Educação Básica que está fora das zonas urbanas, que atuam nas áreas mais remotas do país, que por vezes são a primeira pessoa do seu núcleo familiar a ter acesso ao Ensino Superior. Isso certamente garante não só um futuro profissional para essas pessoas, mas também inscreve nas suas famílias, nas suas histórias de vida, a perspectiva de acesso ao Ensino Superior público", afirmou a Coordenadora adjunta do Parfor, Josenilda Maués.

Texto e fotos: Thais Rezende / Ascom Parfor

 

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